Uma prosa mais direta do que o costume

Foto: Divulgação / campanha #nãomerecemos

Hoje é um belo dia de sábado! Sábado pós feriado.

Por Renata Bianchi

 

Talvez fosse o dia perfeito para um linda crônica maternal ou uma reflexão emergente, mas como o acaso às vezes vira caso, e as mães com prosa gostam de sair da caixinha, neste sábado teremos RELATO.

 

 

Uma prosa mais direta do que o costume. Aconteceu essa semana com essa que vos escreve – apenas mais uma mulher dentro das estatísticas que estão aí todo dia até para cego ver.

 

 

 

Eis a situacão: você contrata uma mão de obra, acompanha o serviço, fica feliz com o resultado e com o novo fornecedor que acabou de conhecer. Fornecedores bons a preço justo costumam valer ouro.

 

 

Mas aí, na despedida, ao agradecer o bom serviço e dizer que, se precisar de novo, liga para orçar uma nova mão de obra, o cidadão sente a liberdade de soltar: “liga sim, inclusive durante a noite, se quiser”. E você ali sozinha com o cretino faz o quê? Nada claro, como SEMPRE. Apenas fecha a cara, engole a seco, torce o estômago e bye bye fornecedor (melhor não definir adjetivos para não baixar o nível).

 

Essa infelizmente é a nossa realidade todos os dias!

 

 

 

A minha e de todas as mulheres que conheço. TODAS!

Seja por desrespeito com piadas ou conceitos sexistas, ou simplesmente por vira e mexe um infeliz achar que uma “investida” (ou sei lá como chamar isso) tipo essa pode ser legal. NÃO, não é legal!

 

 

Se uma mulher não der essa liberdade, coisas desse tipo serão no mínimo repugnantes. Muito repugnantes.

 

E isso pode acontecer em todo lugar e com qualquer pessoa, indepentende de raça ou classe social, infelizmente está mais perto do que a gente imagina – a TV e o cinema que o digam.

 

 

Sou mãe de duas meninas. Uma tem 19, é mulher feita. Peço diariamente que ela se cuide e ande pelas ruas com muita atenção. Infelizmente, como eu, hoje ela encontra espaço para denunciar o desrespeito, mas a sensação é a de que ainda não há como se proteger dele.

 

 

Agora, para a minha caçula, de dois aninhos, eu sonho. Sonho que, no tempo dela, os homens entendam que “cantada barata” não fortalece, mas desqualifica a masculinidade. Da mesma forma que desqualifica um bom profissional.

 

 

Segunda eu tô de volta com uma prosa mais leve, prometo.

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