Tentativa de estupro

Por Patricia Travassos

 

Pense numa menina livre, com sede de viver e coragem para buscar seus sonhos. Nada é mais bonito do que ver um filho ou uma filha ganhar o mundo. Para quem ainda é mãe de uma menininha que usa fraldas, pensar em prepará-la para a independência é uma construção diária. Me pego sempre questionando se estou super protegendo a pequena. Entre o excesso de cuidado e a liberdade para deixá-la crescer existe um mundo de possibilidades. Mais ou menos como todos os tons que existem entre o preto e o branco… a gente vive fazendo escolhas.

A minha amiga Renata Veneri fez muitas escolhas desde que se tornou mãe aos 15. Com a filha Bruna, que já completou 25, ela nunca titubeou sobre suas decisões. Há três anos, a menina escolheu ir morar fora, assumindo um relacionamento sério com um rapaz por quem se apaixonou numa viagem para a Ilha de Páscoa, no Chile. Acima de qualquer romance, a mãe apoiou a experiência de vida que a Bruna teria. E teve: ela fez cursos interessantíssimos, aprendeu novas línguas, conheceu pessoas, lugares incríveis. Teve que se virar quando quebrou o pé e não pode trabalhar, aprendeu a se relacionar com um grande amor…

A sensação era a de que nos dias de hoje uma moça como ela podia tudo. Sim, pode. Só que não. O mundo não mudou tanto assim…e ainda tem muito a avançar em relação à liberdade das mulheres.

Depois de um trabalho em Bali, na Indonésia, ela embarcou sozinha para conhecer a Tailândia. Lá se hospedou num hostel em Krabi. Antes, teve o cuidado de checar as críticas. Eram todas positivas.  Mas, dentro do quarto, sofreu um abuso sexual. Reagiu e conseguiu se desvencilhar do agressor. Pediu ajuda, mas em vez de apoio, ouviu do gerente o pedido para se calar.

Num país tão diferente do nosso, como agir? Em vez de pegar o primeiro avião de volta pra casa, ela optou por seguir adiante com a denúncia. Já passou por exames, conseguiu confirmação técnica da denúncia e identificou o cara. Agora, enquanto seguem os trâmites legais, a Renata, mãe dela, está no avião indo encontrá-la – destroçada. Mas a viagem é longa e a Renata, que já enfrentou tantos desafios para criar tão bem uma filha, com certeza vai conseguir se recompor no caminho. E quando reencontrar a filha do outro lado do mundo, com certeza, estará inteira, pronta para abraçar a querida Bruna. Nada pode curar mais do que um abraço de mãe. A triste constatação é: a gente não consegue livrar os filhos dos males do mundo. Mas, tenta todos os dias formá-los para lidar com as adversidades com valores sólidos e cabeça erguida. Fica aqui o meu carinho para mãe e filha. Parabéns pela força que construíram juntas.

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