Tentando engravidar: do ufa ao aaaah

Leia esse texto ouvindo o clássico da Rita Lee: Cor de Rosa Choque

Se mulher é bicho esquisito só porque sangra todo mês, eu sempre fui das mais estranhas da  espécie. Meus ciclos eram uma bagunça. Minhas TPMs uma questão de calamidade pública. A ginecologista receitou um implante hormonal pra amenizar aquelas cólicas terríveis que eu tinha, mas eu engordei feito uma louca e, em vez de cancelar a pizza aos domingos, preferi buscar uma alternativa que me fizesse sofrer menos. Mas as pílulas me causavam espinhas…

Bom, pra resumir, desisti de adotar métodos anticoncepcionais eficientes. Passei a apostar na minha matemática e a brincar todo mês de roleta russa. Claro que o risco não era o de perder a vida, mas o de ganhar uma de presente. E isso não fazia exatamente parte dos planos de quem, aos 34 anos, ainda priorizava a carreira executiva que evoluía muito bem, obrigada. Então, cada vez que a menstruação descia, ufffffa, era um alívio!

Meu casamento tinha entrado numa fase, digamos, tranquila. Já tínhamos viajado para vários destinos exóticos, depois de conhecer vários destinos românticos, naquelas pousadinhas charmosas que até proíbem criança, sabe? No fim do mês, sempre sobrava uma grana, mas os restaurantes cool da cidade, com esperas enormes, já não nos atraíam mais do que tomar uma taça de vinho no sofá, zapeando a TV a Apple TV.

Até que um dia, depois de ver os “Filhos da Esperança”, em que uma crise de infertilidade assola a humanidade, me deu um “estalo” e abordei o assunto “filhos” com o meu marido. Foi assim, en passant, como se eu fosse mais uma crítica de cinema do que uma mãe em potencial que me tornei uma “tentante”.

O que eu não imaginava era que a tal crise de infertilidade do filme fosse deixar a ficção e se instalar bem na minha casa assim que concordamos em deixar a tabelinha de lado. A comédia romântica que eu vivia, a partir de então, se transformaria em drama. Foram três anos, três meses e três inseminações de muitas expectativas e frustrações. E cada vez que a menstruação descia, ahhhhh, era uma decepção!

Meu marido quis até desistir, mas sexo frágil não foge à luta, né? Eu cheguei a recuar quando percebi que minha ideia fixa de engravidar estava colocando em risco a saúde do meu casamento e até afastando as minhas amigas que, com toda razão, não aguentavam mais ouvir a mesma ladainha. Percebi que tinha que tentar ser feliz enquanto não alcançava meu objetivo. Não, não era questão de “relaxar para engravidar”. Odeio esse papo com todas as minhas forças! Mas, com o sexto sentido maior que a razão, eu decidi confiar que uma hora ia rolar. Rolou, pessoal! Vem aí uma menina! E já decidi: a parede do quartinho dela vai ser cor de rosa choque, como a música que tanto me inspirou por todo esse tempo!

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