Socorro, meu filho segue um YouTuber

Que o mundo mudou abruptamente com o advento da internet a gente já sabe, mas, francamente, essa mudança deveria vir com um manual para que entendêssemos pelo menos um pouco do fascínio que esse fenômeno chamado “youtubers” exerce em nossos filhos. Se pararmos para contar a eles que “na nossa época” nos preocupávamos com as espinhas pipocando em nossos rostos, com as paixonites não correspondidas, com as dúvidas sobre fidelidade e paranoia que Machado de Assis esparramava deliciosamente sobre páginas e páginas de puro deleite, é capaz que antes do final da primeira frase a parede seja nossa única ouvinte.

Hoje, um simples “vem jantar” tem que ser repetido à exaustão porque concorre diretamente com Felipes, Christians, Windherssons, Kéferas e outros nomes que se proliferam dia a dia e carimbam suas digitais nas calçadas virtuais da fama. É claro que nós sempre damos sonoros vivas à liberdade de expressão, mas o que nos intriga é: o que torna esses youtubers tão interessantes para milhões e milhões de jovens? Por que nossos gigantescos esforços de tornar uma conversa interessante perdem feio a disputa para alguém falando pelos cotovelos, sabe-se lá sobre o quê, em uma edição com cortes mais rápidos que o intervalo de tempo entre duas piscadas?

Bem, claro que já experimentamos conflitos de gerações e são eles as manivelas da própria busca incessante do ser humano por respostas, são eles que introduzem novos pensamentos e ideias e também trazem novamente à tona aqueles que deixaram muitos filósofos noites e noites sem dormir. Mas, no cenário atual, com smartphones, tablets, notebooks, o youtuber é praticamente um hóspede em nossas casas, sem hora para chegar nem previsão do quando vai embora. E, mesmo que tenhamos sucesso na dificílima e quase impossível missão de impor limites de uso de internet sem parecermos censoras ou cortadoras de barato, temos que aprender a lidar com esse intruso que é inclusive classificado como formador de opinião.

E, embora sejamos perfeitamente capazes de rir de algumas paródias e do estilo descolado e desbocado de alguns desses youtubers, não é um pouco assustador o fato deles terem conquistado um espaço tão grande no cotidiano de nossos filhos e filhas? Será que, no meio desse bombardeio de vídeos e canais, perdemos o traquejo de tornar o mundo real e as interações familiares, ao vivo e a cores, interessantes e instigantes? Mães leitoras do #MCP, fica aqui nosso pedido de socorro e, se alguém conseguiu o manual da mudança, por favor nos enviem. Aceitamos todos os formatos!

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