Sal e açúcar: como lidar com esses vilões na alimentação do seu filho?

O Brasil já está entre os países campeões de obesidade infantil e as tentações são cada vez maiores. Doces, balas, salgadinhos e refrigerantes lotam prateleiras de supermercados e comerciais são veiculados incessantemente entre os desenhos prediletos dos pequenos. O que podemos fazer para combater não só a obesidade, mas também outros males relacionados ao consumo excessivo de sal e açúcar? O #MCP conversou com o pediatra espanhol Carlos González, especialista em amamentação pela Universidade de Londres e assessor da Unicef. González também é autor dos livros “Besame Mucho”, “Manual do aleitamento materno” e “Meu filho não come”.

As crianças estão comendo demais e por isso há essa epidemia de obesidade? A resposta de Carlos González é não. O que acontece é que elas estão comendo da maneira errada. Se pararmos para pensar um pouco na natureza, observamos que todos os animais comem o que devem comer. Nenhum veterinário na selva precisa dizer a um leão que ele é carnívoro e precisa comer carne. Tampouco esse mesmo veterinário explicaria a uma zebra que ela é herbívora e deveria comer vegetais. Cada animal sabe o que deve comer, ele ressalta.

O problema é que temos algumas vontades instintivas que acabaram se adequando ao ambiente em que nossa espécie evoluiu. Todos gostam do doce e do salgado e todos gostam das coisas gordurosas. Mas, e antes, há centenas de anos, o que existia de mais doce no mundo? González dá a resposta: a fruta. Os romanos não tinham açúcar. Júlio César nunca comeu um doce na vida! Além das frutas, o que havia de mais doce era o leite materno, que tem mais açúcar e mais lactose que o leite de vaca. Então, esse instinto de procurar coisas doces fazia com que as pessoas comessem frutas. Ótimo!

E quando não se tem sal, qual é a coisa mais salgada que existe? A carne. Segundo González, os animais têm sódio e potássio no seu corpo. Comendo carne, nossos antepassados obtinham proteínas, vitamina B12 e ferro, e por isso eles iam à caça. Os animais eram também as únicas fontes naturais de gordura. Assim, o que não estava previsto é que inventaríamos balas muito mais doces que a fruta. Que inventaríamos batatas chips muito mais salgadas que a carne. Que inventaríamos comidas muito mais gordurosas que aquelas que nossos avós faziam.

Então, mãe, a receita que o pediatra dá é simples: tenha em casa apenas comida saudável. Parece difícil diante do cenário alimentício que temos hoje? Então, pense no seguinte: até uma certa idade, as crianças não têm dinheiro para comprar o que querem, não podem decidir. Com o tempo, elas certamente vão adquirir esse poder de decisão e vão usá-lo ao seu bel-prazer. Mas, enquanto seu filho não pode comprar, se você não quer que ele consuma refrigerantes, não tenha refrigerantes em casa.

Tenha sempre em mente o que González ressalta: o importante não é o que uma criança come até os dois anos de idade, e sim o que ela come também pelo resto da vida. Ninguém, ao ter hipertensão aos 30 anos, pode atribuir a condição aos legumes que a mãe salgou demais em sua primeira infância. E nos outros 28 anos, o que essa pessoa comeu?

Então, o motivo pelo qual os pediatras dizem que a comida do bebê deve ser sem sal e sem açúcar não é porque o sal e o açúcar são ruins para os bebês, e sim porque é importantíssimo que eles adquiram bons hábitos e evitem o excesso desses vilões por toda a vida. Há trinta anos os pediatras vêm alertando para isso, mas cadê a geração de jovens que não comem sal e açúcar?

Carlos González não diz às mães para separar a comida do bebê e então salgar a sua à vontade. O que ele recomenda fortemente é que elas preparem a comida com pouco sal para que a criança também possa comer. Se a mãe come com pouco sal e pouco açúcar, seu filho vai comer dessa maneira em 30 anos. É tudo uma questão de hábitos e costumes.

Se você já foi acostumada a comer com mais sal e açúcar, você deverá fazer um esforço para mudar isso. González é categórico em afirmar que se a nossa geração fizer um esforço agora, para a próxima será mais fácil, e a saúde de todos agradece!

 

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