Resolução #1 de 2018: perder o medo de ser mãe

Resolução #1 de 2018: perder o medo de ser mãe

Tenho medo de viajar de carro, de busão, de avião, das meninas machucarem durante as férias, de caírem na escola, quebrarem o braço na casa de alguma amiga, de não olharem direito na hora de atravessar uma rua, de correrem pelo estacionamento do shopping e algum carro distraído atropelar as duas, de que peguem uma virose rara na praia, passem mal se comerem alguma comida azedada pelo calor do verão escaldante e de que aquele espirro se transforme numa H1N1.

Não, nunca fui medrosa assim!

Tá, tenho uma queda pelo fatalismo (puxei minha mãe e ela vai me matar depois de ler isso..rs), mas nada muito paralisante. Nunca fui hipocondríaca e nem do tipo que tem muito remédio em casa (minha farmácia doméstica vive vencida). Mas depois que me tornei mãe, fui acometida por uma sensação de que tudo pode acontecer e pior, inclusive comigo. O meu maior pavor é de que as meninas fiquem órfãs por conta do resultado daquele exame de rotina dar positivo, do avião cair apenas comigo dentro (me arrisco a dizer que 9 entre 10 mães, ouvidas por mim, preferiam estar com os filhos, caso um avião despencasse!!!Sei que a resposta é polêmica, mas…).

Tenho pavor também de não chegar a tempo para buscar as minhas filhas na escola (ainda que várias amigas possam fazer isso por mim); que eu tenha de deixar o meu trabalho atual e só consiga outro que tome 24 horas do meu dia ; que uma consiga passar de ano e a outra fique para trás; que não encontrem uma companhia legal para dividirem a vida; que sofram desilusões com amizades e amores; que não encontrem uma profissão que faça sentido; que decidam viver do outro lado do mundo;  que decidam nunca sair de casa; que não sejam capazes de tomar decisões difíceis; que não tenham capacidade de encarar dificuldades; que exponham suas vidas em redes sociais; que vivam preocupadas com a opinião dos outros; que sofram para perder ou ganhar peso; que depois de adultas encontrem opções mais legais de virada de ano que não sejam comigo; que nunca tenham nenhuma opção mais legal de virada de ano que não seja comigo; que queiram ter filhos e não possam tê-los; que não queiram ter filhos e se sintam obrigadas a tê-los; que vivam num país injusto; que sejam vítimas de machismo ou qualquer tipo de preconceito; que não se incomodem com desigualdades sociais ; que não sejam felizes e que um dia descubram que eu sou a mãe mais corajosa do mundo, mas no fundo, bem no fundo, tenho um medo danado de não ser boa mãe.

PS: Eu sei que ter colocado #1 no título desta crônica cria expectativas em relação aos outros números, mas tô de férias com as meninas e tenho quase certeza de que não terei tempo de escrever a crônica resolução #2 e talvez uma boa resolução para 2018 seja justamente entender que não sou capaz de fazer tudo e…  tudo bem!
Feliz novo ano pra gente!!!!!

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