Quem tem medo do Papai Noel? 

Foto: Mãe com Prosa

Quem tem medo do Papai Noel? 

Por Patricia Travassos

 

Natal sem criança não é Natal. Pode parecer um sacrilégio para os mais religiosos, mas pra mim, o tal “clima natalino” depende 100% da imaginação, da inocência e da capacidade de sonhar que as crianças nos lembram ser possível ter nessa vida.

 

Desde bebê a Isabela já se encantava com as luzes coloridas. Mas agora, perto de completar três anos, estamos vivendo um Natal de descobertas muito divertidas. Ela descobriu que, nessa época, a cidade fica toda enfeitada à espera do Papai Noel, um velhinho vestido de vermelho que sempre traz um presente para as crianças que se comportam bem. Achei que o conceito de esperança ainda era um pouco abstrato para explicar para ela. Até já mencionei o nascimento de um lindo bebê, mas confesso que o link de Jesus com o Papai Noel ficou meio vago. Se alguém tiver uma dica para elaborar isso melhor para uma criança, deixe um comentário.

 

O fato é que o Papai Noel está por toda parte, embora a decoração deste ano tenha sido ofuscada pela crise. Não é à toa que a decoração mais caprichada que vi na região da Paulista é patrocinada por uma empresa de crédito pessoal. Diversão garantida ou seu dinheiro de volta! Ironias à parte, o cenário que eles criaram no meio da rua tem brinquedos infantis, sessões de neve de espuma, banda ao vivo e, claro, Papai Noel, em carne e osso.

 

No primeiro encontro dos dois, a Isabela se aproximou. Até conversou com ele. Disse que quer uma boneca e acabou admitindo alguns chiliques nos últimos tempos. Achei tão fofa a pureza e a honestidade dela! Aí, resolvi abusar. Perguntei se o Papai Noel gostava de chupetas. Seguindo o palpite de todo mundo que conheço, o melhor jeito de tirar a chupeta seria convencê-la a dar para o Papai Noel.

 

O bom velhinho disse que não usava chupetas, mas cada uma que ele recebe transforma num presente para uma criança pobre. Pronto! Como mágica, o Papai Noel se transformou numa espécie de Lobo Mau. Ela se despediu e, desse dia em diante, nunca mais quis se aproximar dele. Será que estraguei a magia do Natal?

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