Quem serão os Tinder Babies?

Foto: Mãe com Prosa

Quem serão os Tinder Babies?

Por Patricia Travassos

 

Desde os Baby Boomers, nascidos numa “explosão” demográfica pós segunda guerra mundial, virou moda batizar cada nova geração de bebês. Surgiram então as gerações X, Y, Z, os Millennials, os Centennials e, agora, a mais nova denominação está sendo chamada de Tinder Babies.

 

Na verdade, são tantos os aplicativos de relacionamento que estão unindo casais e gerando bebês que eu ampliaria o nome para Apps’ Child. O fato é que eles são mesmo filhos da tecnologia. E como cada geração chega para abalar as velhas “estruturas” de comportamento, o que será que os Tinder Babies vêm nos ensinar?

 

Bom, ainda não tenho bola de cristal para prever o que vem pela frente. Então, que tal refletir sobre o que se apresenta, de partida, diante do nosso nariz? Assim como os Millennials e Centennials, os Tinder Babies são nativos digitais. Nesse caso, na própria essência. Retratam a mais contemporânea combinação entre a falta de tempo e a busca por eficiência de seus pais que, em vez de paquerar aleatoriamente em bares ou festas, procuram um par compatível pesquisando perfis virtuais e selecionando as aparências e preferências que mais os agradam até que um “match” os aproxime de seu ideal.

 

Sim, o “ideal” que vem da ideia de alguém capaz de reunir todas as características que completem ou mesmo espelhem as suas. Uma idealização perigosa que pode gerar uma eterna insatisfação, pois, por mas que o outro seja incrível, nunca será tão perfeito quanto a imaginação humana.

 

É aí que entra ou entraria o sentimento para perdoar e até achar graça dessas imperfeições reais. O problema é que para começar a amar, é preciso dar tempo ao tempo. E ninguém tem tempo hoje. Percebeu um defeito? Devolve, troca! A fila anda numa velocidade jamais vista. Sinal de liberdade ou de superficialidade?

 

Os intelectuais definem as novas relações como líquidas. Já há quem diga que são gasosas, totalmente incontroláveis e sem forma padrão. Eu concordo e questiono, com algum saudosismo, onde foi parar aquela história romântica do “destino” que nos uniu, cruzando caminhos no lugar certo e na hora exata? Parece que caiu mesmo em desuso. Afinal, as pessoas perderam o hábito de olhar umas para as outras em lugares públicos. Preste atenção na próxima vez que for a um bar ou restaurante. Quem não estiver acompanhado, fatalmente estará vidrado na tela de um celular, trocando mensagens com quem está longe e ignorando quem está perto. Até mesmo acompanhada, tem gente que prioriza o celular.

 

Quem precisa contar com o acaso na era da inteligência artificial? Algoritmos “aprendem” a ler nossos pensamentos, desejos, preferências e, além de compras, podem nos indicar companhias que nos complementem, certo? Sei lá. No meu tempo, de geração X, os caminhos do coração eram mais errantes. Tá explicado: errei bastante, mas aprendi muito com meus erros. Foram meus erros que me tornaram quem sou hoje. E sem se permitir errar, como serão os Tinder Babies quando estiverem adultos, trabalhando e se relacionando? Perfeitos? Comente e compartilhe sua opinião com o #MCP!

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