Quem não chora, não mama

Quem não chora, não mama

Tem coisa mais perturbadora do que choro de filho? Pelo menos pra mim sempre foi super desestabilizador. Quando Elisa e Manu eram bebês meu maior pânico era o berreiro coletivo. Uma resmungava baixinho, a outra acordava com o ruído da primeira que ia subindo o volume até que numa fração de segundos as duas estavam fazendo um escândalo pro meu completo desespero. Mãe de primeira viagem em dose multiplicada, eu mal conseguia controlar as lágrimas de um bebê e então como fazer com dois? Chu-pe-ta, cla-ro! Bota a tampa de plástico, respira e não pira!

Choro pega, certeza e acho que não tem idade. Me lembro de quando eu era professora de uma turma de quase bebês e a simples menção da palavra mamãe despertava uma catarse. Por isso, em sala de aula por questões de ordem e segurança, decidimos usar o termo progenitora, palavra ainda não assimilada por alunos de 2 anos. Mas o tempo passa e no fundo, bem no fundo, parece que a presença (ou ausência) materna sempre vai provocar um misto de sentimentos e um mar de lágrimas, pelo menos aqui em casa. Em recente momento pré-viagem senti isso na pele.

“Mamãe, tô triste porque vou ficar com saudades”.

“Mamãe acho que vou chorar”.

“Mamãe….”

 

E foi incrível porque quando uma não conseguiu segurar o choro, a outra ( que até segundos atrás estava num ataque de riso) caiu aos prantos.
E lá estava eu tentando consolar minhas mocinhas tantos anos depois da época em que eu ficava entre os berços, no malabarismo da chupeta. Cai aqui, bota ali, gruda lá.

Lembro que até descolei até uma tática infalível pra prender a chupeta em cada dona já que muitas vezes eu era uma só pra controlar duas boquinhas nervosas (te conto em outro post ;).

Fiquei pensando que achava super, mega difícil contornar aquela situação e mal sabia que anos depois daria tudo para ter uma chupeta escondida debaixo do edredon das meninas. O consolo agora não é de plástico, mas feito de argumento.

“A viagem é curta e quando piscarem tô de volta”

“É importante para a mamãe”

“Vai ser divertido por aqui”

Convenceu? Acho que foi o cansaço que venceu

Dormiram
Ufa.

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