Quem faz dever unido, permanece unido!

Por Michelle Póvoa Dufour

Elisa faz contas de 0 a 20 enquanto Manu constrói frases com as palavras roupa, camisa e vestido. Uma faz somas em voz alta e a outra vai lendo suas frases sussurrando #soquenao. Quando Elisa engasga na subtração, Manu sopra a resposta e, quando Manu lê o que acaba de escrever, desconcentra Elisa.

 

E eu? Ah, eu tô aqui bem no meio das duas com o meu laptop, papéis, réguas, crianças, perguntas… tentando escrever esse texto pra coluna e checar mensagens do trabalho que exigem um mínimo de discernimento. E tem também os ábacos  (tudo no plural, gente!) que comprei quando as contas viraram rotina nas tarefas de casa. Descobri que esses instrumentos de cálculo vindos diretamente da Mesopotâmia há 5.500 anos são mais eficientes do que qualquer calculadora financeira.

 

Sim, porque hoje é dia de home office, dia de homework e de todo mundo fazer tudo junto. Deveríamos? Nunca sei. Desde que as lições se tornaram diárias vivo uma dúvida cruel: separo as meninas, me separo delas, cada uma vai para um canto? Se, se e se…

 

A coisa boa é que cada uma das minhas filhas está numa turma diferente na escola, o que significa que as atividades de casa também são distintas e, assim, a dificuldade de uma não se destaca diante da facilidade da outra. Mas não dá pra evitar uma risadinha meio ácida de uma diante da resposta errada da outra, sem falar que a primeira a terminar sempre dá aquela esnobadinha na que fica em segundo lugar. A vice-liderança realmente não convence, né?

 

Já andei perguntando para outras mães de gêmeos sobre o que elas fazem nessa hora, e a resposta quase unânime é: se-pa-ra!

 

Mas nada é tão simples assim quando se tem duas meninas da mesma idade que são grudadas. Nada é tão simples quando se tem apenas 2 dias da semana pra acompanhar a lição de casa delas, quando a maternidade é tão, tão relativa e quando os serás são maiores do que os és.

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