Quantos nãos somos capazes de dizer logo pela manhã?

Por Patricia Travassos

 

Não, o primeiro não do dia não é meu. Eu juro que começo tudo bem de mansinho.

  • Bom dia, minha gatinha, tá na hora de acordar!
  • Não, mamãe. Eu quero dormir.

O segundo também não é meu:

  • Mas já tá quase na hora de ir pra escola…
  • Não! Eu não quero ir pra escola!

 

Opa! Já se foram três. Três a zero! Por quê tanto mau humor logo cedo? Ela anda rejeitando até a música que adorava ouvir para acordar. Deve ser o frio que dá uma preguiça… Mas a volta às aulas não perdoa e nem dá tempo pra ficar aqui elucubrando…

  • Que tal fazer xixi no peniquinho?
  • Não, no penico, não!
  • E escovar os dentinhos?
  • Não, mamãe.

Ela bem que tenta me driblar, mas ainda não tem tamanho pra decidir a partida. Ganha uma (e se mantém de fralda) e perde outra (na pia com a escova da Galinha Pintadinha esfregando o não-sorrisinho dela). A partir daí, o placar começa a mudar:

  • Não espreme o tubo de pasta de dente no espelho!
  • Não joga água pra fora da pia. Não molha a roupa que acabamos de trocar, minha filha!
  • Não esfrega o pãozinho no chão.
  • Não pisa de tênis no sofá.
  • Não enrola pra comer, amor, estamos em cima da hora!
  • Não grita no corredor, gatinha! Assim, a gente vai acordar o prédio inteiro.
  • Você já sabe que não pode apertar o alarme do elevador. Eita dedinho rápido!
  • Não corre na garagem. É perigoso!
  • Não, meu amor, ainda não dá pra você ir dirigindo.
  • Não tira o cinto da cadeirinha, por favor, querida!
  • Não solta a mão da mamãe pra atravessar a rua da escola.
  • Não precisa chorar! Você adora os seus amiguinhos. E a mamãe tem que ir trabalhar…

 

É… o jogo virou e eu virei a artilheira. Não de gols…como já deu pra perceber. Acho que tá na hora de mudar de estratégia de como impor limites à minha jogadora preferida sem ganhar o troféu de mãe mais chata do universo! Nem eu tô me aguentando.

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