Quando a gravidez é da babá

Foto: Mãe com Prosa

Quando a gravidez é da babá

Por Michelle Póvoa Dufour

 

 

Ela tinha acabado de voltar de férias quando chega um zap (a gente é bem tecnológica, sabe?) com o seguinte texto: “Oi Michelle, tudo bem? O que vai ser de almoço”? E antes que eu pudesse dizer “Seja bem- vinda, estávamos com saudades, pode fazer aquele chuchu com ovo” (pensou que só na sua casa rolasse um chuchu com ovo no começo da semana,né?) ela teclou: “Ah, preciso te falar que voltei e trouxe mais alguém comigo”. “Oi? Hã? Como assim? Não voltou sozinha? Trouxe quem? Na mala”? E prevendo o que eu estava temendo já mandei o meu emoji predileto de todos os tempos 😬😬😬😬😬 e logo em seguida
🍼 🎉

 

Sim, a minha babá está grávida, sim é uma notícia impactante, sim 2018 será diferente e sim tô revendo um filme que vivi há alguns anos com outra pessoa querida.

 

A primeira vez que recebi notícia parecida Elisa e Manu tinham acabado de completar 3 meses. Eu subia a escada e ela descia. Quando nos encontramos ela soltou: Então, tô grávida! Naquele momento exato eu ainda tentava entender como eu tinha me tornado mãe de dois bebês ao mesmo tempo sem tratamento (pura sorte) e o principal, estava em pleno momento de me organizar para dali um mês acumular as funções de mãe de gêmeas e apresentadora de telejornal. Por uma fração de segundos pensei que o mundo havia desabado, que eu jamais voltaria a trabalhar, que eu não conseguiria cuidar das minhas gêmeas, que tudo estava perdido. Foi um tsunami, um tornado, um terremoto e passou.

 

Perdi as conta de quantas vezes trocamos figurinhas sobre a gestação dela. Eu, uns 12 meses mais experiente aconselhava, acompanhava e assistia o crescimento do bebê dentro daquela barriga até o dia em que ele foi crescer fora dela.

 

 

Ela nunca mais voltou, aliás, voltou sim e com o bebê que foi virando um meninão presente em alguns aniversários das minhas meninas. E oito anos depois ainda nos falamos, sempre que dá. A ausência dela deu lugar à Jai que acaba de retornar muito bem acompanhada de seu merecido descanso.

 

Claro, receber a notícia de que a pessoa que te ajuda no cuidado dos seus filhos ( privilégio danado que nem todos têm, eu sei) irá, em breve, cuidar do filho dela dá uma pontinha de lamentação, de preocupação e um tanto de egoísmo. A gente precisa rever planos, checar se aquele curso que te obriga a chegar um pouco mais tarde não pode ser em outro horário, a repensar a natação que acontece justamente no dia em que você passa o dia inteiro no escritório e ela leva com carinho as meninas para você.

 

É uma boa hora pra gente exercitar a nossa gratidão e também mostrar aos filhos que nem sempre e nem todos têm alguém para dar uma mãozinha, para colocar os brinquedos de volta na caixa, para fazer a nossa comida predileta e cortar as nossas unhas ( eu corto, mas ela também corta #prontoconfessei). É um bom momento para mostrar que todos temos o direito de fazer planos, de construir uma família, de dividir o nosso amor, de sonhar e seguir adiante.

 

 

É uma chance valiosa também para sair da zona de conforto, para sentir saudades, incentivar a autonomia das crianças (só delas… rs) e por que não, convocar os avós, babás quase perfeitas ❤

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