Precisamos falar sobre o consumo materno

Foto: Mãe com Prosa

Precisamos falar sobre o consumo materno

Por Michelle Póvoa Dufour

 

Acabo de comprar um sabonete líquido roxo só pra combinar com as barraquinhas roxas que aluguei para a festa do pijama das minhas meninas. Será que preciso de ajuda? Comprei também camisolas novas dos Minions (tãaaao fofas!), embora elas já tenham algumas em bom estado, ah, e sapatilhas dos Minions (não resisti!). Tô mesmo precisando de ajuda? Desde que as meninas nasceram percebi uma mudança no meu conceito de consumo consciente. Sempre primei por botar em prática a fama do mineiro de ser um exímio não gastador ( ligeira pão duragem). Sempre fui a louca do brechó (trocava quilos de roupinhas usadas por alguns gramas de roupinhas seminovas na maior felicidade), mas na medida em que Elisa e Manu estão crescendo o meu discernimento vem diminuindo. E pra piorar aqui é tudo em dobro. 2 camisolas, 2 sapatilhas, 2 calcinhas, 2 casacos, 2 vestidos, 2 elásticos de cabelo, 2 pares de tic- tac , 2 bonecas, 2 bicicletas, 2 patins e por aí vai…

 

Outro dia até tentei comprar UMA bota pras duas porque achei muito abuso adquirir mais um sapato desnecessário num mundo onde muitas crianças não têm o que calçar. Mas bastou o caixa dizer e eu constatar que o item tava na promoção pra mandar mais um par pra sacola. Me ajuda? Aí fico pensando que é natural mães serem generosas, pensarem nas crias, no quanto elas ficarão felizes com uma surpresa, mas também não me esqueço de que na minha infância ouvia com frequência dos meus pais o valor exato do compravam pra mim. E não estou me referindo ao preço em reais, mas ao esforço que eles faziam para que aquela Melissa encontrasse o meu pé. Quando vocês tiverem “folgados” (com grana), compram pra mim? Parece que foi ontem eu dizendo isso dentro da C&A do BH Shopping! Sim, acho legal imaginar a carinha das meninas quando encontrarem dois pacotes embaixo da cama no dia do aniversário, mas sei que no fundo, a gente faz isso também pensando na NOSSA felicidade, em como aquilo pode compensar uma possível falta nossa, um alívio pra culpa que tá no DNA materno ou na vontade de que suas filhas te achem o máximo por ser uma mãe tão legal! No fundo a gente curte também ter filhos considerados lindos, arrumadinhos, modernos e descolados (fala a verdade!) na festinha da turma da escola ou no encontro de família.

 

Só que no fundo, no fundo a gente sabe (ou deveria saber) que os filhos precisam mesmo é aprender que nada nesse mundo acontece sem batalha, sem empenho, sem esforço e muito amor. Assim a gente ajuda nossos filhos, né?

 

Em tempo: as meninas amaram a festa e cla-ro que a felicidade delas não teve nenhuma relação com o fato de estarem usando uma camisola dos Minions. Ah, e um pé da sapatilha não sobreviveu nem por 24 horas. Foi vista pela última vez por volta da meia noite jogada no chão, embolada no meio de um lençol, 3 travesseiros e 2 brigadeiros. Está desaparecida até agora. Se achar aí na sua casa, me avisa?

 

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