Por que o suco se tornou um vilão?

Foto: Mãe com Prosa

POR QUE O SUCO SE TORNOU UM VILÃO?

Por Renata Bianchi

 

Em junho a recomendação de não consumir suco no primeiro ano de vida se tornou oficial, mas não é de hoje que esse assunto dá o que falar.

 

DUAS PRIMEIRAS VEZES

 

Quando se tem o segundo filho, uma das perguntas mais tradicionais é a diferença de cada experiência, principalmente durante a gestação e no primeiro ano, que são os períodos que causam mais dúvidas cabeludas nos pais.

 

No meu caso, como o delay de uma filha à outra soma quase 20 anos, hoje a caçula vivencia conceitos bem distantes do que a mais velha presenciou. Vale considerar que na primeira gestação ainda não havíamos passado pelo fenômeno da internet e eu nem tinha idade pra saber como se cria um filho. Na segunda, apesar de me sentir tão perdida na prática como na primeira vez, eu já era uma roteirista um tanto experiente em assuntos de maternidade e isso me tirou de muitas frias durante o puerpério. O novo jeito de dar banho, técnicas e objetos facilitadores, ingredientes que antes ninguém dava bola, quartos montessorianos, a fixação de bebês por eletrônicos, a proibição do suco no primeiro ano… opa! Como assim não pode dar suco? Esse “novo dado” foi o que me deixou mais perplexa na época.

 

Apesar da nova diretriz da Academia Americana de Pediatria ter sido publicada oficialmente em junho desse ano, a Sociedade Brasileira de Pediatria já orienta a evitar sucos até os doze meses há pelo menos três anos.

 

OS DOIS LADOS DA RECOMENDAÇÃO

 

Quando tive a oportunidade da trabalhar com a escritora e nutricionista infantil Patricia Cruz Smith, quis retomar esse assunto e perguntei se existe uma flexibilidade nessa história de não dar suco – afinal, os americanos consomem produtos industrializados de forma exagerada, o que deve causar uma imensa preocupação na Academia Americana de Pediatria, não é mesmo?

 

O depoimento de Patricia foi a coisa mais legal que eu já vi sobre o assunto, pois ela defende o suco na transição do aleitamento exclusivo para a introdução alimentar, conforme ela explica a seguir:

 

“Começando pela fruta em forma de suco, o bebê está saindo do líquido para o líquido, apesar do novo gosto. O ideal é oferecer em copinhos específicos para essa fase, para evitar um desmame precoce, e além da laranja lima, que é a fruta mais comum, eu sempre recomendo o suco de maçã. Com a minha experiência cuidando do meu filho e dos filhos de outras mamães, eu percebi que dessa forma eles aceitam muito melhor a transição aos novos alimentos. A fruta in natura sempre será o ideal e ela deve ser oferecida assim que o bebê se acostumar com o novo sabor. E por aí vai pelo menos mais uns seis meses de descobertas de novos sabores, cores e texturas. Então o suco é útil pra mim somente nesse momento transitório.”

 

Mas por que rolou tanta polêmica quando esse assunto foi retomado esse ano?

 

“Existem estudos que comprovam que o suco em excesso (assim como tudo em excesso) pode causar diversos males, principalmente quando colocado no lugar da água, pois a fruta natural contém açúcar. No caso dos americanos, os sucos são industrializados e muitos têm até mais açúcar, o que aumenta a chance de diabete precoce, obesidade e cáries, por exemplo.”

 

Portanto, o suco de fruta não é um vilão, trocá-lo pela água e o consumo em excesso sim, são os reais vilões. Então, como quase tudo nessa vida, é importante evitar os excessos e entender o contexto de qualquer recomendação.

 

Até a próxima o/

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