Para quem se sente uma criança nesse maravilhoso mundo novo

Foto: Mãe com Prosa

Para quem se sente uma criança nesse maravilhoso mundo novo

Por Patricia Travassos

 

Você já parou para olhar como as crianças brincam hoje? Não sei se foi sempre assim, mas tenho notado cada vez mais que elas parecem ligadas no 220V. E não precisam estar conectadas, não. Nos parques ou brinquedotecas, a velocidade com que mudam de brinquedo é de deixar qualquer adulto tonto. Elas se entusiasmam e se desinteressam por brincadeiras na velocidade da luz. Parecem zapear o mundo diante de possibilidades infinitas.

 

E olha que eu sou da geração do zapping. Ok, ok, eu ainda peguei a época da televisão que só mudava de canal no botão que a gente girava no próprio aparelho. E aí, sempre sobrava pra caçula aqui a tarefa de levantar do sofá quando alguém queria mudar a programação entre os quatro ou cinco canais disponíveis.

 

Sim, a família assistia reunida ao mesmo programa. Parece coisa de outro mundo. Mas é só uma questão de século. Mais precisamente, uma questão de décadas…não mais do que vinte ou trinta anos e o nosso jeito de assistir ao mundo mudou completamente. Chegaram os controles remotos e os canais se multiplicaram em escala exponencial.

 

De minha parte, fui crescendo e amadurecendo (um pouco). E agora, que já sou mãe, pasmem: me sinto novamente uma criança num mundo tão digital e instantâneo. Nesse mar de informações, tento navegar, mas a sensação de afogamento me persegue. É Facebook, Instagram, Twitter, Youtube, Pinterest, agora fiquei sabendo de um tal de Dix… isso porque já passei da idade para entrar no Snapchat e em outras redes que apreendem o nosso tempo e, no anseio de libertar nossa mente, nos aprisionam.

 

Leio os artigos pela metade para dar conta dos outros tantos que esperam minha atenção e meus likes. Já pensei até em leitura dinâmica, mas de que adianta ler tanto sem tempo de parar para pensar?

 

Logo eu que tento ensinar para a minha filha que é tão importante manter a cabeça onde o corpo está. Se concentrar em uma coisa por vez. Curtir o começo, o meio e o fim de cada processo, sem pular etapas e nem abandonar tarefas antes do fim. É claro que na maioria das vezes fico falando sozinha. E quando insisto em ler um livro sem pular páginas importantes da história, é ela que entoa o fim e pula mesmo é do meu colo.

 

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