Pai, me empresta uma xícara de açúcar

Nossa homenagem ao dia dos pais

Por Patricia Travassos

“Papai, papai”!!! Volta e meia,  ela “me” chama assim, com um olhar sorridente e maroto de quem sabe que está trocando as bolas. Eu entro na brincadeira e engrosso a voz. Falo num tom mais baixo e repito uma ou duas frases que, ela reconhece, não são minhas. E a gente chora de rir com a minha péssima atuação. Quando isso começou a acontecer, me perguntaram: você não morre de ciúmes? Eu respondo:

 

Desde pequena dizem que sou a cara do meu pai. Mas antes de me dar conta disso, eu já achava ele lindo! O mais bonito de todos! Ele saía cedo para trabalhar, antes mesmo de eu acordar. E voltava só no fim do dia para jantarmos reunidos, todos em família. Ele sempre foi mais calado que minha mãe, mais calmo do que minha mãe e mais misterioso que minha mãe. As broncas dela eram sempre em alto e bom som, enquanto o silêncio dele era o meu pior castigo. Digo “era” porque faz tempo que não tomo uma chamada daquelas. Faz tempo que virou um amigo confidente e conselheiro.  Faz tempo que não desenhamos nem jogamos vôlei juntos. A cada fase, uma lição. Para tomar “cafés” amargos, eu bem que tento usar mais e mais açúcar. Mas, ser doce não é para qualquer um. E sigo aprendendo com quem é capaz de se emocionar só de ouvir cantarem parabéns na mesa ao lado na pizzaria, sabe?

 

Não, minha mãe não precisa ter ciúmes. Até porque o preferido dela sempre foi meu irmão… E, recalques a parte, uma relação não tem nada a ver com a outra. O que falo com minha mãe é diferente do que falo com meu pai. Como se fossem dois médicos com especialidades diferentes. Não vou ao ginecologista falar de dor de ouvido, certo?

 

A Isabela também não. Desde pequena sabe bem quem é quem: o avô,  a avó, a mãe, o pai… e qualquer pessoa que faça parte do seu dia a dia. Sempre que precisar de mais sal, mais açúcar e até de uma pitadinha a mais de pimenta, vai saber de quem tirar.  Nessa vida, só não pode faltar tempero. Nunca!

 

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