O Poderoso chefinho tá fazendo hora extra aqui em casa!

Por Patricia Travassos

Desde ontem, quando aluguei o filme no Now, ele tá praticamente rodando em looping na TV. Deixe-me explicar melhor antes de ser bombardeada com críticas: no tempo limitado em que o aparelho fica ligado aqui em casa, só dá esse lançamento da DreamWorks. Eu mesma já vi quatro vezes, entre outros afazeres e cochiladas, acompanhando a minha pequena que amou aquele bebezinho-vestido-de-terno-e-gravata-carregando-a-maleta-do-007-para-cima-e-para-baixo.

 

A minha filha é única e, embora não exista nenhum projeto de irmãozinho em pauta, o roteiro me pegou… e me peguei dando risadas sozinha. Sim, porque algumas piadas que funcionam para os adultos, as crianças não entendem.

 

O filme é um convite para todas as idades pegarem carona na imaginação de um menino de sete anos que vê em xeque sua exclusividade de filho único e cria uma versão própria e mirabolante sobre a chegada de um caçula à família.

 

Sou a caçula e ouvi incontáveis vezes sobre o dia em que meu irmão três anos mais velho atravessou o longo corredor do apartamento onde morávamos me segurando de cabeça para baixo por um dos tornozelos, quando ainda era recém-nascida. Ele dizia para a minha mãe: “ela não para de chorar, faça alguma coisa”. Qualquer pessoa que tenha uma história parecida vai se lembrar dela quando vir a cena em que o personagem Tim monta uma engenhoca para lançar o irmãozinho pela janela.  Esse é o fim de uma cena de perseguição muito bem realizada, inspirada nas manobras mais radicais vistas em filmes de ação.  O que acontece na sequência, só mesmo assistindo… É muito mágico embarcar no mundo do menino e, de repente, cair na real, pelo olhar dos pais deles. Dois ângulos, duas visões bem diferentes da realidade.

 

Por trás do drama pessoal (e universal) do menino, um cenário bem realista: os bebês, que sempre reinaram no coração dos humanos, agora se sentem ameaçados pelo crescente amor aos bichinhos de estimação. Em vez de ter filhos, as pessoas andam preferindo adotar cãezinhos fofos. E na “fábrica” de bebês, reverter esse quadro é prioridade. O contexto justifica a postura do bebê que chega à família todo “engomadinho”, como um alto executivo numa missão especial que conclui: “what the world needs now is love sweet love”, na voz doce de Missi Hale.

 

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