Bom exemplo é a melhor forma de educar

O #MCP conversou com o pediatra espanhol Carlos González, especialista em amamentação, assessor da Unicef e autor dos livros “Besame mucho”, “Manual do aleitamento materno” e “Meu filho não come” sobre educação, esse tema que parece sempre carregar a hashtag “polêmica” quando é abordado.

 

Existe um tipo de “educar” muito fácil de entender. É aquele que significa ensinar a somar, subtrair, ler, escrever, entender história e geografia. Como explica González, esse “educar” se resolve na escola, e é por isso que as crianças passam boa parte de seu tempo lá. Há também o “educar” que ensina as crianças a serem respeitosas com as pessoas, serem carinhosas, a não baterem ou xingarem os outros. Essa educação se dá por meio do exemplo que você dá em casa, ou seja, você trata seus filhos da maneira que acha que eles deveriam se comportar.

 

Muitas mães procuram o pediatra com a sentença que pode parecer, em um primeiro momento, definitiva e sem solução: “Meu filho bate em outras crianças”. O que ele explica a cada uma delas é que é normal que uma criança pequena bata em outras. Não é bom e nem desejável, claro, mas é tão normal quanto, por exemplo, fazer cocô na calça. Nós não gostamos que façam cocô na calça, não é verdade? E obviamente ninguém gostaria que seu filho de 18 anos ainda fizessem cocô na calça, mas o fato é que os bebês fazem e nós sabemos que é normal.

 

Então, González pergunta: O que você faz quando seu filho faz cocô na calça? Bem, ele mesmo responde com aquilo que sabemos: Você limpa o bumbum, troca a fralda e pronto. Nada além disso. Você não diz a ele: “Meu filho, você não deve fazer cocô na calça”, tampouco algo do estilo “Puxa, parece mentira uma criança tão grande fazendo cocô na calça”. E jamais você vai a um psicólogo infantil e desabafa: “Doutor, meu filho tem incontinência fecal, não sei o que fazer. Oh, meu Deus, o que fiz de errado para acontecer isso?”. Você não faz nada disso porque tem plena noção que é algo normal nas crianças, e que logo elas vão deixar de fazer.

 

É exatamente a mesma coisa quando uma criança de dois anos bate em outra. Com dois anos, é absolutamente normal. Mas quisemos saber de González: E quando ela vai deixar de fazer isso? Quando ela crescer, respondeu. E então ela vai passar a fazer outras coisas. Que coisas? Basicamente o que ela aprender com os exemplos dados pelos adultos.

 

Então, o pediatra ressalta que se você é amável e respeitoso não só com a criança, mas também com as outras pessoas, é esse exemplo que ela vai seguir. Da mesa forma, a criança que vê o pai gritar com a mãe ou a mãe gritar com o pai está aprendendo, também, a gritar. A criança que vê as pessoas falarem “Por favor, você pode me dar isso?”, vai aprender a pedir as coisas usando “por favor”.

 

E perguntamos, já com aquele medinho da resposta: “Nossos filhos são mesmo cópias do que somos?”. González fez aquela cara de “Bem, é o que temos!”, e deixou bem claro que, quanto mais tempo você passar com seu filho, mais ele vai aprender de você e com você! Mas, e quando a mãe tem que trabalhar e não tem tanto tempo quanto gostaria para ficar com o filho? Esse é o tema da próxima Matéria #MCP!

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