Mais um conto triste de museu

Mais um conto triste de museu

Por Patricia Travassos

  

Menos de um mês depois da polêmica em torno do cancelamento da exposição Queermuseu, em Porto Alegre, o Museu de Arte Moderna de São Paulo é atacado.

 

Uma pergunta: o que agride mais? A performance de um homem nu dentro do espaço fechado de um museu, com um alerta de nudez artística na entrada? Ou socos, xingamentos e ameaças contra funcionários do museu em protesto contra a obra?

 

Opiniões existem para ser diferentes. Eu tenho a minha e qualquer pessoa que estiver lendo esse texto tem outra. A beleza está em ouvir e refletir sobre as diferenças para que, no futuro, a minha opinião e a do outro possam evoluir juntas e conviver em paz.

 

Mas não é o que vem acontecendo. Muito pelo contrário. E isso, acima de toda a discussão, é o que mais me preocupa. A cultura do ódio está vencendo a argumentação. A intransigência, a intolerância e a ignorância são palavras de ordem. Ninguém dialoga mais. As pessoas só se atacam. Nas redes sociais, como em campos de batalha, elas eliminam a “amizade” de quem discorda de sua opinião. É um “assassinato” virtual, é verdade. Mas simboliza a violência contra a liberdade do outro se expressar.

 

Sim, eu me incomodo contra quem em pleno século XXI esconde por trás de supostos discursos pela moral e bons costumes um projeto maior de poder radical e extremista. Isso sim me dá medo.

 

Um homem nu numa sala de museu? Já vi muitos desde que comecei a frequentar exposições ainda criança. Achava engraçado quando era pequena. Cresci curiosa sobre o que os artistas querem dizer em seus trabalhos de forma geral. Eles sempre trazem questionamentos interessantes para refletir. Nem sempre a leitura é óbvia. Acho fascinante buscar a inspiração e a intenção do autor.

 

Se eu levaria minha filha para ver o homem nu? Não com esse intuito, mas já a levei a museus que apresentavam, em meio a outras obras, a nudez em telas ou esculturas. E poderia tê-la levado ao MAM também. Com o aviso da entrada, teria chance de avaliar e decidir se, como mãe, estaria ou não preparada para entrar na tal sala. Se eu soubesse relacionar a performance com alguma mensagem adequada para a idade dela, não veria problemas em entrar. Poderia ser mais uma oportunidade de aprendizado.

 

Quem não quiser parar para pensar ou ser provocado em suas opiniões realmente não deve ir ao encontro da arte.

 

 

 

VEJA TAMBÉM:

O que esperar do primeiro ano de vida de um bebê?

Museu não é jardim de infância

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *