Mãe em crise? Quem nunca?

Mãe em crise? Quem nunca?

Por Patricia Travassos

 

A tal crise de identidade que se instala na mulher depois que ela vira mãe não é nenhuma grande novidade. Leva um tempo até que ela se reconheça e se sinta bem nas próprias roupas novamente. Foi assim com muita gente que eu conheço…de perto, digamos assim. Parece que a gente entra numa espécie de bolha e não pensa em outra coisa a não ser em proteger aquele novo serzinho.

 

((Pausa pra “viajar” na imagem da bolha: sabe aquelas bolhas de sabão que, ao sol, brilham e ficam coloridas como um arco-íris? Assim poderia ser a “cara” da minha maternidade. Capaz de me fazer voar até as nuvens, com uma beleza radiante, mais do que especial. Ao mesmo tempo, tudo isso parece tão frágil e traz um medo! Medo de não dar conta, medo de me distrair e “puff” não ser mais necessária e aí…o que terá restado de mim? Afinal, quem sou eu?))

 

Se você reparar bem, existe um “exército” de bolhas de sabão voando por aí, embelezando os ares. Elas surgem na velocidade daquelas maquininhas made in China que são vendidas no semáforo e que a minha filha adora.

 

O problema é que uma bolha parece não enxergar a outra. E embora voem lado a lado, elas se sentem sozinhas em seus pensamentos e dúvidas. Nesse mundo em que todo mundo é “fakeliz” 24 horas por dia, parece que não há espaço para esse tipo de sentimento. É aí que a bolha estoura, puff!

 

Não tenhamos a ilusão de que encontraremos uma resposta para nossas questões existenciais. O negócio é aproveitar o voo e se deixar transformar. Qualquer criança nos treina a usar a imaginação e sonhar com o impossível. Tenho aproveitado o desafio para enfrentar meus próprios monstros e me remodelar, como massinha colorida, aos poucos, todos os dias.

 

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