Hand spinner não, o nome disso é amor

Por Michele Póvoa Dufour

Sexta-feira, sete e pouco da manhã, prazo final pra sair de casa sem chegar atrasada na escola com cara de louca descabelada e morrer de consciência pesada porque não deu aquele abraço longo e apertado nas suas filhas antes da aula. Enquanto eu tentava acalmar Manu desolada por não encontrar o hand spinner (lembra da febre do ioiô? Então, pior…) bem no dia do brinquedo da escola, também consolava Elisa que chorava justamente porque a irmã sofria por ter perdido o hand spinner bem no dia do brinquedo da escola. Ela até ofereceu o dela para que Manu levasse e, diante da negativa da irmã que não queria que Elisa fosse sacrificada, ficou ainda mais arrasada.

O que uma sente a outra sofre? Sim, há pouco mais de 7 anos é assim. Foram concebidas num intervalo de segundos, dividiram o mesmo espaço na minha barriga, choraram juntas na sala de parto, foram vizinhas de incubadora na UTI, depois de berço e agora de cama. E não é difícil pedirem para compartilharem o mesmo travesseiro quando uma delas não consegue pegar no sono. Ah, e vão sempre juntas ao banheiro, na madrugada, inclusive!

Ter filhas gêmeas é ser apresentada a uma conexão que até então eu desconhecia, e olha que eu e minha irmã somos grudadíssimas. Ter duas filhas da mesma idade, com necessidades parecidas, é viver uma eterna angústia por achar que “agora não vou conseguir me dividir tanto assim!”. Mas, depois de viver a cena do hand spinner, o tal brinquedo que tem dividido opiniões, tirado o sono de professores e despertado tantas emoções aqui em casa, fiquei pensando que ele representa bem a minha vida de mãe de gêmeas.

Vivo girando entre uma filha e outra, uma necessidade aqui e ali, tentando manter a maternidade em movimento e minimamente sob controle (a gente sabe que isto é pura ilusão, mas vamos deixar o papo para um próximo post, combinado?).

 

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