Folha de São Paulo: Carlos Gonzalez

Matéria publicada na Folha de São Paulo

 

Como fazer o desmame do filho acontecer da forma mais gentil possível? Afinal, a amamentação traz inúmeros benefícios para a saúde da criança, além de estreitar o vínculo afetivo com a mãe. Por isso as mães têm tanto medo de que o desmame se transforme em uma experiência traumática.

O pediatra espanhol Carlos Gonzáles, referência em amamentação e criação com apego, diz que o desmame gentil é lento. Ou seja, não ocorre da noite para o dia.

“Se pode resumir em não oferecer, mas também não negar. Dar o peito quando a criança pede, mas tentar fazer com que ela se esqueça de pedir”, disse ele ao blog Maternar por e-mail.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda que os bebês sejam amamentados exclusivamente com leite materno até os seis meses de vida. A partir daí, o leite materno deve ser oferecido como forma complementar até os 2 anos ou mais.

Por conta do fim da licença-maternidade, que na maioria das empresas dura 120 dias, muitas mulheres começam a se preocupar com o desmame antes da hora. Mas a volta ao trabalho não precisa marcar o início do desmame. A mulher pode se planejar para ordenhar e armazenar o leite que será oferecido ao filho quando estiver longe dele.

Gonzáles afirma que a mulher precisa ter em mente que desmamar não vai reduzir seu trabalho. “É preciso ter claro que desmamar é mais trabalho, pois terá que dar à criança, por outros meios, aquilo que dava antes pelo peito. Será preciso contar mais histórias, levá-los mais ao parque para brincar, admirar seus desenhos e construções, fazer-lhe mais carinho e cantar mais músicas.”

Segundo ele, o desmame noturno deve ser o último. “As crianças que mamam até os 5 ou 6 anos normalmente só o fazem à noite. É porque o peito é a melhor e mais rápida maneira de fazer com que durmam quando choram à noite. O que fazer se não lhes der mais o peito?”

Mesmo as mães que ainda não planejam desmamar têm dúvidas sobre quando oferecer o peito à criança. Gonzáles diz que deve ser oferecido sempre que a criança pedir.

“O que não é a mesma coisa de dar o peito quando chora, porque o choro é um sinal tardio de fome. Antes de começar a chorar, a criança normalmente busca o seio, faz ruídos, leva as mãos à boca, mexe os lábios. Por outro lado, nem sempre chora por fome. Se oferece o peito e não se acalma é porque chora por outro motivo”, afirma o espanhol.

ALIMENTAÇÃO

Autor do livro “Meu Filho Não Come”, que será lançado em novembro no Brasil pela Editora Timo, Gonzáles diz que os pais só devem se preocupar com a falta de apetite do filho se ele começar a perder peso.

É normal que ela reduza a quantidade de comida ingerida a partir de 1 ano, quando seu ritmo de crescimento fica menos acelerado. O importante é não forçar seu filho a comer. Se ele fecha a boca quando você tenta alimentá-lo é porque ele não quer mais comer.

Para falar sobre o livro e temas relacionados à amamentação e criação, Gonzáles participará de uma série de palestras.

Os encontros com Gonzáles acontecerão no dia 19 no Hotel Golden Tulip Paulista Plaza, em São Paulo. Para participar, é preciso se inscrever no site da editora Timo (www.editoratimo.com.br).

No dia 18, ele dará entrevista para o programa Mãe com Prosa, das jornalistas Fabiola Cidral, Patricia Travassos e Petria Chaves. Ele também será ouvido pelo programa Caminhos Alternativos, da CBN, apresentado por Fabiola e Petria.

Leia abaixo entrevista com Gonzáles:

Se a criança recusar comida, devemos insistir? Como fazer?

Carlos Gonzáles – Claro que não. Se não quer comer é porque não quer e ponto. Se é um bebê pequeno que começa a chorar porque está irritado, deve-se tentar tranquilizá-lo e dar o peito novamente. Mas se é uma criança que não quer comer e perdeu peso, deve-se procurar o pediatra e ao mesmo tempo oferecer-lhe pequenas quantidades de seus alimentos preferidos.

Quais os sinais que a criança dá de que não quer comer?

Gonzáles –  São sinais óbvios: fecha a boca e se nega a comer.

Quando os pais devem começar a se preocupar com a falta de apetite?

Gonzáles –  Deve se preocupar quando a criança perde peso, ou quando ganha muito pouco peso.

O que fazer para incentivar o filho a voltar a comer?

Gonzáles –   Não devemos encorajá-lo  Temos um problema muito sério de obesidade infantil. As crianças estão comendo muito.

É normal ocorrer essa perda de apetite a partir de 1 ano? Por quê?]

Gonzáles –  Sim, é normal. Primeiro porque a criança não cresce tão rápidamente e precisa da mesma quantidade ou menos que antes, mesmo tendo ficado maior. Em segundo lugar, muitas crianças deixam de comer os purês, que são frequentemente muito aguados, passam a ingerir comida normal, mais calórica. Um prato de macarrão não é a mesma coisa que um prato de legumes. Em terceiro, as crianças tendem a se tornar mais seletivo, começam a rejeitar certos alimentos. Não devemos forçá-las a comer.

 

 

http://maternar.blogfolha.uol.com.br/2016/11/14/pediatra-espanhol-fala-sobre-desmame-respeitoso-e-alimentacao-infantil-leia-entrevista/

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