Museu não é jardim de infância

Museu não é jardim de infância

Por Patricia Travassos

Arte é coisa para criança? Sim, claro que é! E se estiver acompanhada de um adulto, disposto a mergulhar nas obras, o passeio a um museu pode ser muito, muito proveitoso.

 

Desde que o mundo é mundo a arte cumpre seu papel de comunicar, provocar e levantar questões para serem discutidas pela sociedade em constante transformação. É claro que há obras e obras. E não desvalorizo aquelas que apenas nos deleitam com sua beleza estética. Mas, nada como ter tido a oportunidade de entrevistar centenas de artistas como repórter de cultura (na Band e na TV Cultura) para perceber o quanto muitos deles estão à frente do nosso tempo. E é por isso que geram reflexão e, muitas vezes, polêmica. E isso é muito bom. Aliás, esse é o grande potencial da arte.

 

Cancelar a mostra do Queermuseu, em Porto Alegre, é mais do que intolerância. É perder a oportunidade de pensar o nosso tempo e as mudanças de comportamento que estão diante do nosso nariz diariamente, como a temática LGBT.

 

“Ah! Mas as obras são impróprias para crianças, estimulam pedofilia, a zoofilia, desrespeitam religiões…”, argumentaram os manifestantes contrários à exposição. Bom, então, não leve seus filhos. O espaço da galeria não era público. Ah! “Mas o recurso incentivado que patrocinou a mostra, sim, era público”. Verdade, mas o projeto de exposição nunca se propôs a ser educativo ou infantil. E dos maiores de 18 espera-se maturidade e capacidade de lidar com a diversidade de opiniões e com as perguntas que poderiam ser levantadas por visitantes menores de idade.

 

Qualquer família sabe que é preciso escolher onde levar as crianças. E ninguém deve entrar num museu achando que está visitando um jardim de infância. Há regras a serem respeitadas: distância das obras, não se deve falar alto ou correr nas exposições. Limites como esses são saudáveis, fazem parte da educação. O que não é educado é tentar calar a boca ou se negar a “ouvir” quem está propondo um debate. Cuidado, às vezes, a arte agride. Justamente para derrubar preconceitos, gerar discussões e diálogos que deveriam fazer o ser humano evoluir.

 

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