Dica de filme infantil: A Bailarina

A mentira tem pernas e dança ballet

 

Reflexão a partir do filme “A Bailarina”

Por Patricia Travassos

 

O cenário é lindo! Paris, 1869. Enquanto a Torre Eiffel está sendo construída, Félicie corre atrás do sonho de ser uma bailarina. Ela chega à cidade luz depois de fugir do orfanato onde cresceu. A paixão pela dança encanta e a garra da menina é capaz de justificar uma mentira até mesmo aos olhos dos adultos da trama. Sim, a mocinha do filme mente! Isso é raro. Em filmes infantis, geralmente vemos o bem e o mal em lados opostos bem marcados por personagens antagônicos. No caso do filme A Bailarina, não. Tanto a “mocinha” quanto sua opositora expõem seus lados solar e sombrio, suas forças e fragilidades, qualidades e defeitos. Sem linearidade. Finalmente, personagens humanos!

 

 

Félicie assume um lugar que não é seu numa audição de ballet. E assim, se vinga de Camille, outra aspirante a bailarina que a esnoba e quebra sua caixinha de música de estimação, logo no início do filme. Em vez de vingança ou revide, o filme trata essa atitude como determinação da menina para realizar seu sonho, como se o fim pudesse justificar os meios.

 

 

Será que vale realizar um sonho prejudicando alguém? O filme traz essa reflexão sobre a rivalidade humana, das mais clássicas. A inveja, a insegurança, a irresponsabilidade, a paixão…o roteiro de A Bailarina passeia por tudo isso e testa o jogo de cintura dos espectadores que, fatalmente, terão que se posicionar diante dos dilemas éticos e das muitas perguntas que o filme sugere às crianças.

 

Disponível no Netflix.

 

 

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