Delação premiada

 

Todos os dias, eu levo meu filho Mateus, de 9 anos, pra escola. No caminho, eu tenho o costume de ouvir o noticiário no rádio. Claro que nesses tempos atuais, expressões como políticos, corrupção, grampo e Lava Jato são repetidas à exaustão. O Mateus nunca prestou atenção ao que é dito no rádio, fica compenetrado mesmo é no celular.

Aliás, não sei como essas crianças não vomitam de ficar olhando na telinha pequena com o carro balançando. O Mateus fica tão vidrado, atualmente num tal de Clash Royale.

Pois bem. Num dia desses, quase chegando na escola, o Mateus me perguntou:

– “O que é isso, mãe?”

– “O que é isso o quê , meu filho?”.

– “Isso que falaram aí no rádio, que dá prêmio”.

Aí, eu  pensei um pouco e me liguei:

– “Ah, delação premiada?”.

Mateus respondeu com um hum-hum e, pra me livrar logo da pergunta difícil respondi rapidamente que que era coisa de dedo-duro que entregava amigo pra se dar bem.

  • “Beleza! Beijo, tchau! Boa aula pra você…”

Bom, era dia de prova! E o que eu não sabia é que a prova seria para mim também! À noite, quando cheguei em casa, encontrei Mateus com a cara emburrada. Aí, perguntei o que tinha acontecido e ele ignorou, me deixando sem resposta. Como não foi a primeira vez que ele teve uma atitude assim, resolvi não me esquentar e fui esquentar o jantar.

Tudo bem. Todos postos à mesa, eu lembrei da prova do Mateus e perguntou como ele tinha se saído. Há tempos, o desempenho escolar do menino não é dos melhores… mas quando ele quer, tá comprovado: ele não tem dificuldade de aprender.

Olha o que ele fez com a brilhante explicação que eu dei de manhã sobre a delação premiada: ele e o amiguinho de classe, Pedro, haviam montado um esquema de cola que acabou não dando certo porque a professora remanejou os alunos. O papel com a cola ficou carteiras adiante, só com Pedro. E o Mateus, além de ficar sem cola, não sabia responder nenhuma questão da prova. Diante do imprevisto, ele teve um insight: “Se eu dedurar o Pedro me dou bem”. E foi o que ele fez. Levantou o braço e gritou: “Professora, o Pedro tá colando!”.

Bem, é claro que a essas alturas, qualquer instinto materno já foi capaz de adivinhar que o Pedro se deu mal, o Mateus passou longe de ser premiado com um dez e eu…fiquei “de recuperação”. Por isso, peço a ajuda do #MCP para resolver essa questão: afinal, como é que se explica delação premiada a uma criança?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *