Dar bronca nos filhos: será que funciona?

Dar bronca nos filhos: será que funciona?

 

Um exemplo real

 

Imagine a mãe de duas crianças incontroláveis: uma menina de 4 anos e um menino de 2. A mais velha sente muito ciúmes do irmão, que nasceu com um pequeno problema nos lábios e acabou superprotegido pela mãe. Ele, por sua vez, também não aceita que a irmã receba atenção. Os dois travam uma batalha constante em casa e também fora dela. De tão inconvenientes e bagunceiros, eles não são nem mais convidados para festinhas de aniversário.

Entre outras peripécias como subir na geladeira e rabiscar paredes, um dos “passatempos” preferidos da menina é apertar todos os botões do elevador. A família já foi notificada pelo condomínio. Mesmo assim, a mãe não sabe o que fazer nessa hora. Ciente de que superprotege o menino, ela não quer repreender demais a filha para não parecer que trata os filhos de forma diferente.

 

O que uma mãe deve fazer?

 

A pedido do #MCP, a psicóloga Andressa Maradei, responsável pelo Welcome Baby, método de trabalho que auxilia pais e mães na adaptação e desenvolvimento de seus papéis, orienta que a mãe precisa distinguir o certo do errado e chamar a atenção da menina na hora. É muito importante impor limites e dar parâmetros claros para a criança. É muito importante ter em mente que não é por meio do berro que se ensina alguém. Nunca dê bronca em seu filho com raiva. Respire fundo e analise primeiro os fatos. Tenha em mente que, quando você dá uma bronca, não é raiva que você quer transmitir. Você quer educar, e raiva passa bem longe disso.

Com o berro, a criança jamais vai entender que está sendo educada. Então, na hora, você precisa pontuar o que está acontecendo e esclarecer que é errado. Sugira algo para ser feito no lugar e explique os porquês e os efeitos da ação errada. No caso do elevador, a Andressa sugere: a primeira coisa a ser feita é tirar a menina de dentro do elevador. Claro que ela vai chorar, espernear, mas não há negociação quando a situação começa a “pegar fogo”. Então, a mãe deve se sentar com ela e conversar, demonstrando as consequências de uma forma racional e consciente: “O que você fez não foi legal, prejudica outras pessoas que precisam do elevador”.

 

 

 

A criança deve entender que tudo tem consequência

 

Criança tira a gente do sério sim, mas você precisa ser a primeira a respirar e manter o controle. Crie, em qualquer lugar da casa, o cantinho do pensamento para a criança. Esse cantinho funciona como uma pausa para ela entender que algo saiu dos eixos. Alguma coisa está errada e ela precisa pensar. Tem que ficar claro que tudo tem uma consequência: se insistir na malcriação e desobediência não poderá, por exemplo, ir à casa da amiga. Ou fazer algo que ela queira muito. Lembre-se de que não adianta proibir um monte de coisas, a criança não vai obedecer e você vai acabar cedendo. Outra coisa: não blefe ou você pode perder a credibilidade numa próxima vez.

 

Para mudar uma criança, você também deve mudar

 

“Carl Jung já dizia que se você encontrar algo que gostaria de mudar em uma criança, deveria antes se perguntar se não há algo que você deveria mudar em você mesmo. Antes de erguer a voz para uma criança, reflita sobre o quanto está ouvindo a sua própria voz interior, e se está sendo capaz de compreender o que esta voz lhe diz. Antes de erguer a mão para uma criança, reflita sobre o quanto está erguendo a mão para mudar o que não está bom, dentro e fora de você. Que nos sirva apenas de alerta, ou como um convite para refletirmos, que sempre há muito a ser mudado em nós mesmos, quando temos o ímpeto de mudar algo em uma criança!”

Andressa Maradei

 

 

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