Criança não trabalha, criança dá trabalho?

Por Michelle Póvoa Dufour

Mamãe, você pode levantar da sua mesa a hora que quiser sem pedir para ninguém? Uau, que demais!!!

Nada como uma passagem das suas filhas pelo seu trabalho para reconfigurar a visão que você tem da sua rotina um tanto estressante, muito corrida, às vezes pesadona… Vida de adulto tem suas chatices, mas quase sempre acompanhadas de liberdades imperceptíveis para quem tem mais de 7 anos. Nunca precisei pedir para minha chefe pra ir ao banheiro, por exemplo. Uau, não é demais?

Foi a segunda vez que Elisa e Manu me visitaram no escritório que na verdade é uma escola, uma escola de professores.

Mamãe, professor também é aluno?

Aqui é a sala onde eles estudam?

Cadê eles? Estão viajando com os pais?

Posso botar o seu crachá?

Que pátio lindo! Cadê a quadra para eles brincarem?

E lá foram elas disparando milhares de perguntas, como sempre ao mesmo tempo, como sempre em doses duplas de curiosidade e intensidade. E olha que foi só uma visitinha rápida porque reconheço que a multiplicidade de crianças ainda me deixa meio tensa, mesmo quase oito anos depois… Fico achando que por serem duas vão dar mais trabalho, vão fazer mais barulho, vão me deixar mais desconcentrada e maluca num lugar onde preciso de foco, de rendimento e de silêncio. Mas Elisa e Manu foram incrivelmente educadas. “Obrigada”, “por favor” e  disponibilizaram suas bochechinhas para o beijo da colega de trabalho que é amiga da mamãe, mas que elas nunca viram na vida. As meninas foram fofíssimas e me encheram de orgulho. Quem não quer exibir as crias e o resultado do esforço diário conquistado na delicadeza (amor, cadê a palavrinha mágica? ), no surto (não acreditooooo que você ainda não aprendeu a palavrinha mágica!!!!!) ou no equilíbrio entre a histeria e a normalidade (querida, palavrinha má-gi-ca!).

Mas no fundo o que eu queria mesmo era que as meninas vissem todos os detalhes da minha mesa. O desenho que um dia elas fizeram pra mim pregado com durex, a bolsinha de papel com o nome delas, escrito por elas (ai que fofura!) pendurado no meu porta lápis, um xerox colorido de uma foto da escola que por milagre tem as duas juntas (já que estudam em salas separadas). Queria mesmo é que Elisa e Manu percebessem que mesmo estando longe delas no dia a dia, elas estão comigo, o tempo todo.

E ao final da visita perguntei  toda empolgada e já esperando o reconhecimento das minhas filhas pelo o meu esforço em manter quase um altar dedicado a elas no meu trabalho: e aí meninas, viram a mesa da mamãe que coisa mais linda? O que mais gostaram nela, hein?

Mamãe, o que eu mais curti de tudo o que eu vi foi aquele saquinho de catchup na sua gaveta! Uau, sinceridade infantil não é demais?

 

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2 Comentários

  1. Hahaha. A sinceridade de uma criança é algo que não tem preço mesmo. Sincero também é o prazer que tenho em ler seus textos minha amiga mineira!

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