Como conciliar trabalho com a educação dos filhos?

Nós sabemos que, quanto mais tempo passamos com nossos filhos assim que eles chegam ao mundo, mais eles aprendem da gente e com a gente. No entanto, com a correria do dia a dia, o tempo fica cada vez mais apertado e conciliar trabalho com a educação dos pequenos parece ser cada vez mais difícil. Ao contrário de alguns países nórdicos onde a criança fica mais de um ano com seus pais, por aqui a licença maternidade é de, no máximo, seis meses. Mas o que podemos fazer se é esse o cenário da realidade que vivemos? Para responder a essa e outras perguntas, conversamos com o pediatra espanhol Carlos González, especialista em amamentação, assessor da Unicef e autor dos livros “Besame mucho”, “Manual do aleitamento materno” e “Meu filho não come”.

 

 

Menos trabalho, mais tempo para educação dos filhos.

 

González conta que, antigamente, as crianças passavam muito mais tempo com os pais. Hoje em dia, infelizmente, esse tempo é muito pouco. Sua mãe, por exemplo, não trabalhava, e seu pai trabalhava oito horas por dia. Então, embora ele compreenda que hoje as mulheres querem e devem trabalhar, ele acha um absurdo que trabalhem dezesseis horas por dia, mesmo que tenham optado por abrir seu próprio negócio para ficar mais próximas da família. Claro que hoje precisamos trabalhar dobrado para conseguir as mesmas coisas, ele ressalta, mas talvez devamos pensar um pouco diferente, pensar em conseguir outras coisas. Sua família nunca teve carro nem casa na praia, e jamais fizeram viagens ao exterior, mas ele e os dois irmãos foram para a universidade.

 

 

Licença maternidade dos sonhos.

 

Para o pediatra, seria magnífico ter licenças maternidade que se estendessem de 1 a 2 anos. Então, quando olhamos para países onde isso acontece, como a Suécia, geralmente pensamos: “Que pena, aqui no Brasil não posso ficar um ano com meu filho”. Mas o que devíamos pensar, de verdade, é: “Que raiva! Aqui, para ficar um ano com meu filho, tenho que pagar”, pois tanto uma criança sueca quanto uma brasileira precisam da mãe exatamente da mesma forma. Então, o que a mãe tem que se perguntar é quanto custa estar com seu filho até quando achar necessário. Muitas mães dizem que parte o coração deixar uma criança de 4 meses na creche, mas será que vai partir menos quando a criança tiver 6 meses, 1 ano, 2 anos?

 

 

Então, González aconselha cada mãe a parar para responder à pergunta: “Quanto custa estar com meu filho até que eu o julgue crescido o suficiente para levá-lo à escola com segurança?”. Ele dá os seguintes exemplos. Se você ganha 600 dólares por mês, digamos que você pode ficar 1 mês em casa. Se você ganha 5000 dólares por mês, você provavelmente tem dinheiro guardado e pode ficar mais tempo em casa.

 

 

Educação é para vida toda.

 

Nós quisemos saber também se mais tempo de dedicação e atenção dos pais garante um futuro melhor para os filhos. González respondeu que não sabe e não se importa! Na prática, tanto a criança que foi para a escolinha desde cedo quanto aquela que ficou em casa podem se tornar ótimos adultos, terem bons trabalhos e serem pessoas muito agradáveis. Ou podem ser totalmente o oposto. Simplesmente não temos como saber o que eles vão se tornar e o que vão fazer de suas vidas. É absurdo tentar definir como cuidamos ou tratamos nossos filhos com base em efeitos a longo prazo. Muitas vezes não sabemos quais serão.

 

 

O que González assegura é que um dia os filhos vão embora de casa. Mesmo que a gente pense que dar muito peito, pegar no colo e deixar dormir na nossa cama garanta que eles fiquem eternamente dependentes. Não é assim. Eles vão embora de qualquer jeito! Portanto, o que devemos fazer é aproveitar enquanto eles deixam, porque aos 15 certamente eles vão olhar torto para aquele colo exagerado e cheio de abraço que eles adoravam quando pequeninos!

 

 

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