Comendo morangos

Por Patricia Travassos

Ainda na minha barriga, o primeiro reveillón da Isabela foi bombástico. Nem todos os fogos de artifício do mundo poderiam expressar a explosão de felicidade que eu sentia por estar gerando aquela vida. Era como se eu ampliasse a minha própria perspectiva de futuro, sei lá…

Ao mesmo tempo, muito além dos estouros, eu ouvia um “barulho ensurdecedor”, provocado por uma descoberta daquelas de tirar qualquer mulher do equilíbrio. Eu, que já estava mesmo caminhando como um pinguim, apenas compreendi que más notícias não poupam as grávidas. Aliás,  adoraria encontrar um super-herói que protegesse gestantes do mal…mas isso é uma outra história.

No segundo reveillón, a Isabela ainda era um bebê e atravessou o ano dormindo apesar dos fogos de artifício que, para mim, representavam gratidão e esperança.

No terceiro reveillón, ela já andava e, enquanto os fogos coloriam o céu, ela dizia: “Óia! Óia”! Foi uma festa! O barulho já não me assustava mais. Muito menos a ela, que desde sempre me deu a força que eu precisava para superar qualquer revés.

Outro dia, não era reveillón. Era numa noite linda de lua cheia e entre sons de grilos e sapos, começamos a ouvir fogos pipocando no céu. Aí, eu disse: “Bela, estão comemorando”! E ela respondeu com outra pergunta: “Estão comendo morango, mamãe?” Imaginem o quanto eu ri…uma gargalhada tão gostosa, tão maravilhosa…que preencheu meu mundo. Queria congelar aquele momento ou passar meus dias “comendo morango”.  A fruta, pra mim, ganhou sabor da mais pura emoção, um sentimento tão inesperado quanto inebriante…quando os fogos de artifício parecem explodir dentro da gente, dando ritmo ao coração.

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