Avós, babás quase perfeitas

Foto: Mãe com Prosa

Avós, babás quase perfeitas

Por Michelle Póvoa Dufour

 

Deixei as minhas filhas na festa de um amiguinho da sala e fui recebida pela avó dele que sabia meu nome, conhecia minhas meninas e me chamou pra tomar um vinhozinho com ela.

 

Depois, no banheiro do clube, nada de mães ou babás, mas avós monitorando os netos no chuveiro ao final da natação. Não esquece de tirar todo o shampu, hein? A água esquentou?

 

Escrevo sem julgamentos, apenas agradecimentos. Não acho um absurdo, não digo que são mulheres exploradas por mães desnaturadas e pais pouco presentes, não posso julgar, apenas agradecer.

 

O que seria de mim sem a minha mãe? O que seria de nós sem elas? Fui mãe de duas ao mesmo tempo, mãe dupla de primeira viagem e só uma mãe como a minha poderia ter trazido um pouco mais de paz pro meu coração dividido e aflito. E olha que ela vive a 600 quilômetros da porta da minha casa e sempre que preciso, ela tá lá. Já veio porque eu tinha de viajar, já veio porque as netas estavam com febre, já veio “apenas” porque queria participar do primeiro dia de aula das minhas filhas no jardim I.

 

As avós buscam na escola, participam de reunião de pais, falam com a psicopedagoga sobre a lição de casa, levam no Kumon, buscam no jazz, acompanham netos em festinhas de buffets e ainda socializam com outras avós…. Tem também os avôs, em menor número tá certo, mas não menos participativos. Eles esperam a ginástica olímpica acabar, dão carona para os amigos dos netos na saída do futebol, levam no clube, brincam de casinha, tocam violão na sala e ocupam a primeira fileira na apresentação de flauta. Avôs costumam acompanhar as avós e viver aquilo que não puderam. Quantos deles davam um duro danado longe de casa enquanto os filhos cresciam?

 

São eles que nos permitem seguir carreira, viajar a trabalho, sair para jantar com as amigas, esticar um final de semana com o marido, ir a um show com o novo namorado e fazer aquele curso à noite com a cabeça inteira e não divida entre a sala de aula e o quarto da crianças.

 

Somos gratas e eles o que será que sentem? Revivem a própria infância, testam a coluna ao fazerem bolo de areia no parquinho do clube, acham que os tempos são muitos difíceis para os pais, que as crianças mudaram muito, que é super estranho falar com os netos via FaceTime, que bebês saem muito pra jantar fora, que é um prazer ficar à tarde toda com os netos, que é muito cansativo, que é um amor sem tamanho, que renova as energias ou que é esquisito cuidar de alguém quando eles também precisam de cuidados?

 

Arrisco a dizer que vóternidade deve ser tão ou mais complexa do que a maternidade

 

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