Aniversários (no plural mesmo )

Tá chegando o dia do meu nascimento. Foi em 2 de setembro, às 10h. Eu pesava 12 kg a mais e media 1.69.  Foi cesariana e chorei na sala de parto. Tive de ir para a UTI algumas horas depois e foi ali que realmente nasci como mãe. Foi lá que, mesmo mal conhecendo as minhas filhas, percebi que faria qualquer coisa por elas, que ficaria ao lado da incubadora cuidando delas mesmo sem poder carregá-las direito, que tiraria leite mesmo sem ter o suficiente pra duas, que ficaria totalmente perdida ao receber a notícia de que elas não tinham nem 2 kg e já iriam comigo para casa.

Minha maternidade está prestes a completar 8 anos, mas parece que foi ontem e também que foi há 8.000 anos. A primeira lição é a de que dá para dividir o amor em doses exatamente idênticas. E tem outros aprendizados diários como a capacidade de curar machucado com um beijo, tirar espinho de pé com uma pinça, trocar fraldas no escuro (mãe aprende, pai acho que nunca…rs), fazer cupcake de massinha, usar lápis de cera pra fazer forca na toalha de papel do restaurante, fazer rabo de lado, dar o colo quando preciso (para duas quando necessário), preparar lancheiras todo dia, entender a diferença entre Tylenol e Novalgina, cumprir o calendário nacional de vacinas, prestar atenção na classificação dos filmes da TV e levar  a carteirinha do plano de saúde quando vamos  viajar.

Também são muitos reaprendizados como pular elástico, brincar de pique esconde, assistir desenho animado, ler revistinha em quadrinhos, ouvir Balão Mágico, comer biscoito de polvilho, tomar Nescau antes de dormir e amolecer a gelatina pra virar suco. São quase 8 anos de algumas constatações também.  Nunca mais serei a mesma, nunca mais pensarei apenas em mim, ainda vai levar muito tempo pra eu ter a minha bolsa de volta e pra não ter um pedaço de carne semi mastigada no meu prato com a justificativa: não gostei mamãe.

Nesse tempo entendi também que, mesmo sendo mãe, ainda sou a Michelle, ainda tenho vontade de ouvir música no último volume (música adulta, tá?), tenho vontade de sair com as minhas amigas de infância pra gente falar como a nossa vida antes dos filhos era assim quase um tédio (#soquenao), de sair com o meu marido sem levar o celular, de fazer planos de viajar sem malas e sem destino.
A gente aprende a ser mãe, reaprende, constata e ama. Todo dia, o tempo todo. Obrigada, Manu e Elisa. Feliz 8 anos pra gente!

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