Ana Fontes, a mulher que ensina como empreender

Ela criou a Rede Mulher Empreendedora,  um canal de comunicação entre mães que criam seu próprio de negócio.

Pode chamá-la de líder, mas a modéstia de Ana Fontes certamente preferiria o título de amiga ou mentora das mulheres que se lançam na aventura de empreender. Há sete anos, ela criou a Rede Mulher Empreendedora que hoje tem 300 mil seguidoras. A ideia é acolher e apoiar empreendedoras no processo de transformar seus negócios em realidade ou, de preferência, em sucesso.

A mulherada tá saindo mesmo do mundo corporativo, principalmente quando tem filho e empreender virou o caminho. Muitas estão se jogando de cabeça nesse mundo de empreendedores e aí a Rede cresceu absurdamente. Nossa maior força está nos eventos de networking que são muito importantes pra elas no desenvolvimento de negócios. Então, todo mês a gente tem 2 ou 3 cafés com empreendedoras, em que a gente oferece palestras de conteúdo, capacitação e apresenta histórias de mulheres que já estão mais avançadas no caminho dos negócios”, explica Ana Fontes.

A jornalista Patricia Travassos entrevistou a empresária Ana Fontes em 2013 e publicou suas experiências e expectativas no livro “Minha mãe é um negócio”. De lá pra cá, a Rede Mulher Empreendedora se desenvolveu de uma forma muito consistente: fiel à missão e aos valores de sua criadora.

Mãe com Prosa conversou com a  Ana Fontes.  Ela  relembrou como foi abandonar a vida corporativa e mergulhar de vez nesse projeto:

Eu trabalhei por quase 17 anos numa multinacional e, em dezembro de 2007, pedi demissão. Eu não sabia ainda que eu queria empreender. Mas eu sabia que não queria mais trabalhar naquele universo. Eu não me identificava mais com o mundo corporativo e além disso, acabava convivendo pouco com a minha filha. Não fazia mais sentido seguir trabalhando daquela forma. Quando você vira mãe e começa a olhar para aquela pessoa que você gerou, as coisas mudam. Eu passei a não aceitar mais certas coisas e comecei a me questionar: Puxa, o que eu estou fazendo pelo mundo? Eu consigo me ver daqui a 20 anos fazendo a mesma coisa? Será que eu me vejo me aposentando nessa empresa? É um momento de muita reflexão quando você vira mãe e quando você começa a ter outros valores, pensando no que você pode fazer pelos seus filhos, pensando em que futuro eles querem e no que você deseja para eles.  Tudo isso mexe muito com a cabeça das mulheres”, conta a empreendedora.

Você ganhou mais tempo depois que virou empresária ou essa é uma grande ilusão?

Ana Fontes –  “Você não ganha mais tempo. Você ganha flexibilidade. A ilusão é o tempo. Eu não preciso mais ficar preocupada em falar para o meu chefe que amanhã eu tenho reunião na escola da minha filha e, por isso,vou precisar sair do escritório no meio do dia. Agora, eu posso fazer os meus horários. Mas eu sigo tendo minhas responsabilidades. Então, depois da reunião da escola, eu sigo trabalhando – fora do horário comercial. Tem dia que eu chego em casa, faço toda a rotina doméstica, preparo o jantar, janto em família, acompanho as lições de casa e, por volta das dez horas da noite, eu recomeço o meu trabalho para uma jornada de umas duas horas”.

Você acha que as mulheres estão mais dispostas a empreender ou é falta de opção?

Ana Fontes – O erro das empresas no mundo corporativo é querer impor um horário específico de trabalho. Isso que “mata” a maioria das mulheres. Muitas delas no fundo, no fundo, não querem empreender. Elas bem que gostariam de continuar no mundo corporativo, mas com mais flexibilidade.Mas, sem outra alternativa, empreender vira uma grande opção.

Qual é o maior desafio do empreendedorismo, na sua opinião?

Ana Fontes  – O maior desafio que eu vejo hoje entre as mulheres que eu vejo empreender é sobreviver ao tempo de maturação do negócio, até ele começar a dar retorno financeiro. O normal no mundo dos empreendedores é de 3 a 5 anos. Isso se você estiver no caminho certo. Mas, muita gente não consegue esperar tudo isso.

Qual dica você daria para quem está começando um projeto ou um negócio?

Ana Fontes – O que eu falo para todas as mulheres que querem abrir um negócio é: faça uma reserva financeira, aprenda a viver com menos, porque o normal do retorno de um negócio é de três a cinco anos. São exceções as empresas que consegue “virar” em menos tempo do que isso.

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