Que filha sou eu?

Por Adriana Brunstein

Que filha sou eu?

Não tive filhos e, por incrível que pareça, ainda estou aprendendo o que é, de fato, ser filha. Não espero que eu vá ganhar um diploma, uma medalha imaginária, nem nada desse tipo, até porque duvido que esse processo tenha um fim. O redescobrir minha mãe e o me redesenhar como filha parecem se renovar a cada segundo, afastando toda e qualquer possibilidade de que uma ciência exata dê as regras.

É curioso como temos que nos afastar, seja no tempo ou no espaço, para termos uma compreensão mais lúcida do que vivemos e vivenciamos como filhas. Temos que ser espectadoras de nós mesmas, saber rir do que foi engraçado ou não teve cabimento algum, chorar mais uma vez por aquilo que doeu tanto, embaralhar e desembaralhar todas as emoções contidas nessa relação única e exclusiva.

Ser filha é montar um quebra-cabeças com infinitas peças que vão se encaixando por meio de lembranças, histórias contadas, memórias – as legítimas e aquelas que são um truque da nossa mente – para formar a imagem desse eterno aprendizado. Afinal, como escreveu Murilo Mendes: Nascer é muito comprido.

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