10 dicas para seu filho NÃO usar o celular nas refeições

 

Por Patricia Travassos

 

Você já reparou que as pessoas não conversam mais à mesa nem no almoço de domingo? Cada um se concentra no próprio tablet ou celular, engole a comida e vai embora.

 

 

Um almoço indigesto: acho que exageraram no Wifi!

 

Imagine a cena: enquanto o garçom não traz os pratos, o pai checa as fotos do Instagram, tomando um chopp gelado. Munida de Coca Zero com gelo e limão, a mãe troca mensagens “cazamigas”. Ansioso em avançar no Clash Royalle, o filho mais velho nem percebe que já tomou toda a sua limonada suíça (cheia de açúcar) antes da comida chegar. E o caçula? Bom, esse nem pisca assistindo aos vídeos do YouTube Kids. Agora, fale a verdade: alguém já viu uma cena dessas acontecer na mesa vizinha? Apostaria um IPhone 7 que sim…caso eu tivesse um, claro.

 

Não, não sou contra tecnologia. Muito pelo contrário. Aliás, estou louca por um IPhone7. Mas vamos combinar que tem hora pra tudo. Sempre ouvi dizer que na hora da refeição, o menos importante é a refeição. O mais legal é o encontro da família, em torno de um delicioso mesmo objetivo. Trocar ideias, compartilhar pensamentos, dúvidas, falar da escola, do desempenho no futebol, do trabalho, contar histórias cotidianas… enfim, são tantos os assuntos que podem surgir de um encontro de gerações. Basta que as pessoas envolvidas estejam dispostas a conversar entre si. Mas acho que isso anda meio fora de moda.

 

Os fast-foods e a redução do tempo familiar

 

Desde a chegada dos fast-foods, as famílias abreviaram o tempo juntas. Cada um come rapidamente sua caixinha de papelão feita em menos de 60 segundos e segue seu rumos. Os mais velhos vão até se lembrar da promoção do Mc Donald´s que dava um Big Mac extra se o serviço demorasse mais do que um minuto.

 

De lá pra cá, os serviços foram melhorando e a coisa só piorou. O educador Mario Sergio Cortella tem uma explicação: a culpa é da “despamonhalização da sociedade”.

 

Despamonhalização da sociedade (Mario Sergio Cortella)

 

Conclusão: as novas gerações andam impacientes. As distrações aumentaram para satisfazer essa ansiedade dos menores e conquistaram também os maiores que, quando conversam entre si, é para compartilhar um vídeo hilário que receberam no grupo da firma.

 

A pergunta é: onde vamos parar se seguirmos sem conversar com nossa própria família? Com quem vamos aprender valores baseados no afeto? Em quem vamos confiar cegamente? Com quem poderemos contar? Quem vai conhecer nossos pensamentos, opções? Será que somente os algoritmos do Google?

 

A assustadora realidade de Wall-E

 

Anos atrás fiquei chocada ao assistir ao filme Wall-E, da Walt Disney / Pixar. A animação pintava um futuro trágico para os habitantes da Terra. Em 700 anos, o lixo tomaria conta do nosso Planeta e não seria mais possível viver aqui. As pessoas embarcariam numa espécie cruzeiro espacial até que o território fosse limpo e as plantas voltassem a crescer. Enquanto isso, os humanos viveriam confortavelmente em suas poltronas elétricas individuais, tomando shakes aromatizados de sabor hamburger, sabor pizza e afins. Tudo em tamanho grande, muito grande. A obesidade generalizada já causava alterações no esqueleto da espécie. Em pouco tempo, não seríamos mais capazes de andar sozinhos. E, para conversar com alguém, chats instantâneos em telas. Uma tela para cada um, obviamente. Bom, já se passaram quase 10 anos e ainda me pego lembrando das cenas do filme que a cada dia se aproximam mais da realidade.

 

 

 

Reuni dez dicas para combater o problema em casa ou no restaurante.

1. Deixe uma cestinha com carregadores perto da copa, cozinha ou sala de jantar. Proponha que os celulares ou tablets tenham suas baterias carregadas na hora da refeição. Quanto mais tempo o papo se prolongar, melhor para os eletrônicos.

 

2. Em restaurantes, proponha uma brincadeira: quem checar o celular fica sem sobremesa. Lembre-se que os pais devem dar o exemplo. Invente uma regra caso o celular toque. Pode ser engraçado.

 

3. Para substituir o celular e entreter as crianças por mais tempo, proponha brincadeiras de acordo com suas idades. Para menores de dois anos, leve papel e giz de cera colorido para passar o tempo. Crie e pinte formas coloridas.

 

4. Em pizzaria, crianças de todas as idades se divertem com a massa crua da pizza. Algumas pizzarias até topam assar a “escultura” feita pelos pequenos.

 

5. Jogo das cores também é um sucesso. Cada um escolhe uma e conta um ponto quando encontrar algum objeto de sua cor no ambiente.

 

6. Jogo da velha com palitos de dente: um clássico. Até a quebra dos palitos para diferenciar os jogadores é uma diversão.

 

7. Jogo da rima: o primeiro jogador escolhe uma palavra e os outros precisam fazer rima com ela. Ex: faca, vaca, paca, maritaca…e assim por diante.

 

8. Para crianças maiores de 3 anos, faça um desafio. Quem se lembra da coisa mais legal que fez durante a semana? E mais chata? E mais engraçada? Dependendo do resultado, o assunto pode durar a refeição inteira.

 

9. Para maiores de 8 anos, tente a brincadeira do PIN: essa é do tempo do Domingo no Parque. Números múltiplos de 4 não são pronunciados. Use o PIN no lugar. Ex: um, dois, três, PIN. Cinco, seis, sete, PIN. Nove, dez, onze, PIN. Vá alterando o desafio e aproveite para checar como está a matemática dos pequenos.

 

10. Continue a história: proponha que a família crie junta o roteiro de uma aventura. Uma pessoa começa a história e cada um completa uma parte da trama. Depois, tente criar uma comédia, um filme de terror…

 

 

Se você leu o texto até aqui, é porque o assunto também anda preocupando a sua própria família. Coloque as dicas em prática e compartilhe sua experiência com o #MCP.

 

2 Comentários

  1. Marcia Franco Melo disse:

    Patricia querida! Saudades!!! Por aqui estamos implementando o “jantar em família”, meninos seguram a fome para jantar mais tarde, quando o pai chega. Nada bom pra digestão, mas excelente para a convivência e educação. Sem eletrônicos, lógico!

  2. Patricia disse:

    Oi Marcia! Tudo bem? Que bom que seguimos em contato, ao menos por aqui… Você segue morando no Rio? Adoramos seu comentário. Obrigada por compartilhar sua experiência e participar dessa reflexão com a gente. Um grande beijo!

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